Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 18:27

Trajes de Noite

No filme “La Dolce Vita” de Federico Fellini (1959), a estrela mundialmente famosa “Silvia” declara em uma entrevista “Durmo entre duas gotas de perfume”, assim tornando claro para todos, através do olhar sedutor de Anita Ekberg, a atriz que a representava, que dormia nua em sua cama. Na década dos 1950, é provável que a imprensa tenha atribuído tais observações a estrelas de cinema na vida real. O que naquela época era considerado escandaloso, era uma coisa natural na Europa de 600 anos antes. Muitas pessoas dormiam nuas, entre os lençõis, trajando somente uma touca. Essa nudez não era considerada ofensiva, como tampouco era – como se alega em determinadas versões de história popular – um sinal de prontidão permanente para o ato sexual.

Antes do século XVI há poucas referências sobre roupas usadas ao dormir. O modo de vestir durante o dia, no entanto, era rigorosamente controlado. Inúmeros decretos sobre o vestuário, no fim da idade média, mostram que os habitantes de uma cidade eram obrigados sob pena de punição a vestir-se de acordo com sua categoria social. A moda de cada categoria tinha imensa importância na sociedade. Durante o dia, oferecia um método de identificação, mas, já que isso não tinha qualquer importância à noite, com frequência a roupa era dispensada na cama. Além disso, antes da introdução de fiações de algodão mecanizadas da Inglaterra, no século XVIII, o tecido era muito mais caro do que hoje em dia.

Produtos têxteis, muito valorizados, serviam como investimento, assim como jóias ou moedas de ouro. Era comum as famílias produzirem seu próprio linho, e algumas peças eram usadas durante anos ou pela vida toda, às sendo passadas para a geração seguinte. As pessoas se despiam à noite, talvez para reduzir o desgaste do tecido. Dizia-se que até o século XIX, as mulheres mais avarentas, para economizarem tecido, sentavam-se diante da roca de fiar com as costas nuas contra o encosto da cadeira. Havia também uma anedota a respeito de um fazendeiro que batia em sua mulher na cama, a fim de não danificar a única coisa preciosa que ela possuía de valor, o seu vestido.

Os primeiros relatos a respeito de roupas de dormir vêm da nobreza. Sabe-se que as mulheres nobres, no século XV, usavam camisolas guarnecidas com rendas ou outros enfeites caros. Camisas de dormir estavam enumeradas entre as contas do rei Henrique VIII da Inglaterra (1491-1547) e, em 1556, a rainha Mary recebeu de presente pelo Ano Novo, duas camisolas enfeitadas com seda preta.

Do fim do século XVI em diante, tornou-se hábito nas cortes da Europa trocar de camisa todas as manhãs e todas as noites. Esta “nova moda” estava relacionada com as correntes de higiene da época, pois acreditava-se que a roupa de baixo limpa limpava o corpo. Lavar-se com água, ao contrário, era considerado muito pouco saudável. Havia, no entanto, muito pouca diferença entre as camisas de uso diurno ou de uso noturno. Por muito tempo, o uso de uma vestimenta para dormir permaneceu reservado às classes mais altas. A população em geral, não foi senão após a Revolução Francesa, que a prática de usar camisas especiais tornou-se difundida entre a população urbana.



Durante muito tempo, os estilistas de moda demonstraram pouco ou nenhum interesse pelas roupas de dormir. Não foi senão no início do século XX que os modelos começaram a ser baseados em tendências contemporâneas.

(Modelos Jelmoli – Zurique )

avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 18:32



Manuscrito de Manesse (cerca de 1330)
Mestre Heinrich Teschler
Folha 281v 25x35cm
Biblioteca da Universidade, Heidelberg

A importante arte do Minnesang (dos menestréis) já estava em declínio quando a família do patrício de Zurique Rüdiger Manesse estabeleceu sua coleção de Minnelieder (canções de Amor) entre 1300 e 1340.
Esse Codex Manesse encontra-se agora conservado na biblioteca da universidade de Heidelberg. Compreende 426 folhas de pergaminho onde estão escritos cerca de 5400 versos, as canções de amor de 137 minnesingers.
Cada poeta é apresentado por meio de um “retrato do artista”. O elevado formato da composição , a força expressiva do desenho e as cores vivas naturais produzem um efeito refrescante.
Esses manuscritos em iluminuras demonstram a importância cultural do minnesang e oferecem uma imagem atraente da vida da corte no período gótico.
Os primeiros compositores dessas ardentes canções de amor eram imperadores e a alta nobreza, e, mais tarde, cidadãos especialmente dotados.

O Minnesag era uma forma de ritual idealizado para cortejar uma mulher casada inatingível.
Ao todo, nesta peça, pode-se distinguir o trabalho de quatro pintores. Não se sabe qual deles pintou este retrato em particular.
Mestre Teschler talvez fizesse parte da nobreza de Zurique. Foi conselheiro municipal durante muitos anos, e, em 1275, é mencionado como cânone do coro da igreja.
Aqui, vestindo uma túnica verde, ele forçou sua entrada no quarto de dormir da mulher amada. Um pajem e uma dama de companhia presenciam a cena. A nobre dama está sentada e não deitada, em sua cama, as costas apoiadas em almofadas.

Ela traz uma guirlanda ao redor do seu lenço de cabeça. Com uma expressão severa, rejeita o cantor que está suplicando por audiência. Com a mão esquerda, ela procura puxar as cobertas para cobrir sua nudez.


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:07

Redes

Dormir acima do chão ou do soalho é um hábito das regiões das savanas e mais frias.

A forma mais simples é composta de blocos ou uma plataforma construída em barro, geralmente ao redor da lareira, ou, na região dos Alpes , do fogão de cerâmica.

Tais camas não se diferem em sua essência dos arranjos para dormir no soalho ou no chão. Não são peças de mobília, são parte da arquitetura.



As camas e catres, por outro lado, dependendo do material usado são relativamente móveis. É infinitamente variável em modelo ao redor do mundo.



Mas, embora existam regiões tropicais em diferentes partes do mundo, somente os indígenas da floresta amazônica na América do Sul tiveram a inspirada idéia de fazer os adultos dormirem suspensos no ar.
Foram eles que inventaram a rede – muito antes de os europeus tão fatidicamente cruzarem seus caminhos.
Em 1492, Colombo “descobriu” não somente o “Novo Mundo” mas também a rede.

Como registrou em seu diário, em 17 de outubro daquele ano, “um tipo de rede de lã é usada como cama e cobertor no qual estas pessoas dormem”.

Mais tarde um pouco, observou que em Cuba essas redes eram chamadas de “hamaca”.



A hamaca dos habitantes das Antilhas (que falavam Aruak) deu origem a hammock (inglês), hamac (francês), hamaca ou amaca (espanhol), hangmak (holandês) e, em uma típica reinterpretação, Hänge-Matte (alemão) ou “esteira pendurada” (“hanging mat”, inglês).



A rede é uma peça de mobília para todos os fins.

É tanto cama quanto cadeira para os indígenas.

Suspensa no ar, oferece proteção contra animais rastejantes e a umidade do chão.

À noite, as pessoas adormecidas são aquecidas por uma fogueira, porque as horas antes do amenhecer são especialmente mais frescas nos trópicos.

Comparada com as camas, as redes são de mais fácil transporte, e, quando dobradas, ocupam muito pouco espaço , principalmente porque não se necessita de nenhum outro acessório.

Pela mesma razão, graças à rede, não há praticamente limite para o número de hóspedes que podem ser acomodados em uma casa (oca).

Os primeiros europeus na América não se habituaram imediatamente a dormir em redes.

Mas já em 1500, Vespúcio, mostrou-se entusiasmado a respeito “dos prazeres de se dormir em redes” em uma carta a Pierfrancesco de Medici.

O calvinista borguinhão Jean de Léry ( que viveu no Brasil de 1556 a 1558), depois de passar um ano entre os tupinambás, perguntava-se se “não se dorme muito melhor nessas camas do que em nossas normais camas especialmente no verão?”, e recomendava a introdução das redes no exercito francês.

As redes, pouco a pouco, foram encontrando seu caminho nas artes visuais.

Diz-se que os móbiles de Alexander Calder foram inspirados pelo “sistema suspenso que está sempre pronto a mudar de posição” (Gideon), enquanto Heckel, que juntamente com Kirchner e Schmidt-Rottluff fundou o movimento artístico conhecido como Brücke, logo reproduziu-as em litogravuras e pinturas. Nas regiões tropicais, ainda hoje, é mais ou menos onipresente e utilizada não só por indígenas, mas também pela população em geral.

_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:07



Jan van der Straaet (chamado Stradanus)
America
Chapa 1 de Nova Reperta
Estampa 20,2x26,9cm
Gravada por Theodor Galle
Kupferstichkabinett, Basileia

Américo Vespúcio (1415-1512) explorou a América do Sul, primeiro a serviço dos espanhóis e, mais tarde, dos portugueses.

O recém-descoberto continente América recebeu o seu nome. Nova Reperta, que relatou essas descobertas, contém ilustrações feitas por Jan van der Straaet, que foram posteriormente gravadas por Theodor Galle. A primeira chapa mostra a chegada de Vespúcio de uma forma altamente teatral. Ele remou de seu navio até a praia, onde desembarcou com armadura completa, segurando o sextante de navegador na mão esquerda e na direita a cruz e a bandeira. Descoberta invarialmente significava que o soberano e a igreja tomavam posse da nova terra.

Animais exóticos são mostrados brincando. Ao fundo, avista-se o mar e uma costa rochosa. No plano intermediário, nativos assam membros humanos sobre uma fogueira. Em primeiro plano, uma mulher escultural está reclinada sobre uma rede suspensa entre dois troncos de árvore. Na época, esse tipo de cama era algo totalmente novo para os europeus. A mulher traz uma jóia na parte inferior da perna e, ao redor dos quadris, um cinto de penas. Por debaixo de sua coroa também enfeitada com penas, descem pelas costas os cabelos longos e loiros. Vespúcio fica ali em pé, maravilhado. A mulher nua, ela também colhida de surpresa, levanta-se para ir ao encontro do estranho, com um gesto indefinido.


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:08

Courbet- Le Hamac



Gustave Courbet (1819-1877)
Le hamac , 1844
Óleo sobre Tela 70x94cm
Coleção Oskar Reinhart
Winterthur, Suíça

Em um discurso memorável perante um Congresso de Arte realizado em Antuérpia (1861), Courbet declarou que “O Realismo é, por sua própria natureza, uma arte democrática”.
Courbet era um lutador e Delacroix o considerava um gênio. Na exposição mundial de Paris de 1855 causou sensação com seus quadros (que ele exibiu em uma tenda).

Idealizaçao tanto no tema quanto na forma – o gosto predominante na época era do classicismo- foi rejeitada pela geração de pintores mais jovens.
As revoluções da época deixaram suas marcas na pintura, bem como na sociedade e na política.
O cotidiano da vida foi retratado como era na realidade.
A jovem neste quadro de Courbet é mostrada ao acabar de adormecer na rede. Somos atraídos para sua intimidade pela atitude de relaxamento que demonstra. Ela desabotou o corpete e seu vestido escorregou para revelar a anágua e as meias.
Nada- nem a posição desajeitada da moça nem as saliências produzidas pela rede por seu corpo ou sua pronunciada papada logo abaixo do queixo farto – é encoberto.
A observação de Courbet não é filtrada, é exata, sendo que todas as linhas, matizes e cores são precisas.

Este é exatamente o aspecto que a moça teria se fosse surpreendida durante o sono por um estranho.



_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:09



Hypnos e Thanatos
Século V aC
“Lekythos” de Argila Branca
Museu Britânico, Londres

Na era clássica da Grécia antiga, era costume colocar “lekythoi” nas estelas funerárias de falecidos ilustres como uma lembrança constante.
O frasco de óleo, de gargalo estreito, era feito de argila vermelha e geralmente coberto por uma capa branca sobre a qual eram pintadas cenas da morte, elogios ao morto, e a vida no outro mundo, em contornos finos, foscos.
Estes lekythoi brancos estão entre os melhores exemplares de cerâmica ateniense do período do século V aC.
Nossa gravura ilustra um detalhe da pintura excepcionalmente bela de um exemplar.
Uma estela funerária no formato de uma coluna redonda e lisa e decorada com fitas ergue-se sob um pedestal retangular, no centro.
Sobre uma lápide pode-se distinguir o contorno pintado do capacete de um soldado. Diante dela, os irmãos alados, Hypnos, o claro Deus do Sono, e Thanatos, o sombrio Deus da Morte, juntos eles colocam o guerreiro morto, vestido com sua armadura, em sua sepultura.
É o falecido rei lício Sarpedon, o mais bravo dentre todos os aliados de Tróia?
De acordo com Homero, Sarpedon era filho de Zeus e de Laodamea.
Foi morto na Guerra de Tróia pela espada de Patroclus.
Zeus ordenou que carregassem seu amado filho de volta à Lícia, para que ele pudesse ser sepultado para eterno descanso com as honras apropriadas.

As vinte espirais repetitivas do ornato na faixa decorativa acima da estela nos dizem que ele continuará a viver.

Em outras palavras, a faixa é muito mais do que um ornamento: para quem passar por ali, terá o poder interpretativo deste símbolo.


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:10



Albrecht Dürer
A respeito da corte noturna, 1494
Gravura em madeira, 17x14cm
Kupferstichkabinett, Basiléia

No início do século XVI, o mundo estava em confusão. Albrecht Dürer exprimiu seus temores nesta magnífica xilogravura. Erasmo de Roterdam (1469-1536) em seu ensaio “Elogio da Loucura”, dedicado ao chanceler inglês, Thomas More, expôs todo o mundo – tanto homens quanto mulheres, de origem nobre ou do povo geral, tanto os cultos quanto os analfabetos – como servos voluntários da Deusa da Loucura.
Sebastian Brant, de Estrasburgo, foi um professor da escola de direito da universidade da Basiléia, a cidade episcopal sobre o Reno, que na época atraía muitos impressores, ilustradores e editores de livros. Foi ali que ele publicou seu “Navio de Doidos” (Ship of Fools), que retratava o mundo como um barco balouçante cheio de malucos. Estes estão velejando para Narragonia, a Terra dos Loucos, e sua jornada é descrita em sete mil versos em rima sombria.
Essa sátira ilustrada teve muito sucesso e foi rapidamente traduzida do alemão para o holandês, inglês e francês.

Albrecht Dürer, que na época trabalhava como ilustrador na Basiléia, desenhou e gravou 75 das 116 xilogravuras que compõem o livro.

Nossa ilustração é tirada do capítulo 62, que se intitula “A Respeito da Corte Noturna”.

A lua crescente está no céu. Tolos menestréis fazem serenata para suas amadas com flauta, alaúde e canção.
Mas a mulher que foi tão rudemente despertada de seu sono não está nem um pouco interessada. Nua, exceto pela touca, ela esvazia seu urinol sobre os indesejáveis pretendentes.


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:11



O Sono dos Pobres
Daumier foi um grande crítico social, e pintou as esquálidas condições de abrigo noturno, onde as pessoas adormecidas, sem terem suas próprias camas, descansam seus corpos fatigados debruçando-se sobre uma corda.

Não há sequer um lugar para pendurarem seus chapéus; estes ficam sobre suas cabeças enquanto dormem. E, para concluir, Scharl desenhou os mendigos adormecidos de Paris – miseráveis que precisam dormir em horas e lugares sequer imaginados pela filosofia burguesa.


Honoré Daumier (1808-1879)
O Albergue
Litogravura


Impossível fornecer camas suficientes no albergue para tantos mendigos. O que se pode fazer?
Um banco é colocado ao longo da parede e uma corda forte é estendida à sua frente. Os pobres infelizes tomam seus lugares em uma fileira sobre o banco, penduram seus braços sobre a corda e procuram esquecer sua miséria por algum tempo.

Alguns dormem com seus chapéus sobre a cabeça, o que lhes a dá sensação de proteção e segurança contra o roubo do único bem que lhes pertence.

Mas, mesmo este breve descanso é continuamente perturbado pelos movimentos dos outros.

Esta cena de miséria não é um fruto da imaginação de Daumier.

O tremor da mão do artista trai sua compaixão: Daumier presenciou esta cena com seus próprios olhos.


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:11



Jan Vermeer van Delft (1632-1675)

Menina Adormecida, cerca de 1656
Óleo sobre Tela, 86,5x76cm
The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque

Vermeer, o contemporâneo mais ilustre de Rembrandt, era sua antítese em termos de composição formal, e era uma personalidade enigmática. Poucos de seus trabalhos foram conservados. Não sabemos quase nada a respeito de sua vida, a não ser que era pintor, comerciante de obras de arte e foi eleito presidente da Corporação São Lucas (“Guild of Saint Luke”) . Nenhum documento autobiográfico chegou até nós; quando morreu, deixou dívidas e oito filhos menores; não pôde ser encontrado comprador para qualquer dos quadros deixados em seu estúdio. No entanto, atualmente, seus trabalhos despertam admiração. São impregnados por vibrante tranquilidade, e este quadro não é uma exceção. Nosso olhar passeia fora da sala através de um corredor, chegando a uma segunda sala, quase vazia. Pendurados nas paredes de cor clara, hé alguns quadros, espelhos, e mapas. O primeiro plano é bloqueado por uma cadeira colocada em posição diagonal e uma mesa, sobre a qual há tecidos, um jarro e garrafa e uma tigela com frutas. A menina adormecida está sentada à mesa. Sua mão esquerda descansa levemente sobre a borda da mesa, enquanto a cabeça é apoiada pela mão direita fechada, o cotovelo sobre a mesa. Na cabeça, traz um gorro ajustado; ao redor do pescoço está dobrado um lenço; um corpete de seda cor de cobre revela o colo farto. Ela parece ter adormecido ao lado da porta, enquanto esperava a chegada de um visitante.

_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:12



Homem Adormecido em uma Cadeira
Desenho a Bico de Pena
Mestre alemão anônimo
Segunda metade do século XV
Universitätsbibliothek, Erlangen

Esta cadeira de madeira com espaldar alto, pode-se imaginar que não é o melhor lugar nem o mais confortável para se dormir. Mas o homem está muito cansado. Com suas calças justas, gibão, barrete apertado e sapatos, veste-se como um artesão. Ou será um colega de trabalho do desenhista anônimo? A julgar pelo desenho a bico de pena, o artista era um mestre de menor importância, daqueles comissionados no auge do período gótico, para produzir desenhos para altares, trabalhos de ourivesaria e decorações. O desenho foi composto com grande cuidado; o intuito de estruturação fica evidente nas verticais dos pés da cadeira. O contraste entre as linhas orgânicas fluidas do corpo e os elementos geométricos da gravura servem para realçar o efeito artístico. A exaustão do homem é observada de forma aguda. Encontramos aqui, em uma obra de última fase da arte gótica, uma insinuação daquela concepção do corpo que mais tarde atingiria seu apogeu nas representações pictóricas da figura humana em Albrecht Dürer.


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:13



Albrecht Dürer (1471-1528)
O sono do Médico, ca. 1497/98
Gravação em cobre, 18,8x11,9cm
PrintRoom, Basiléia

Albrecht Dürer era familiarizado com o cinzel do ourives por força de sua criação e de seu treinamento. Filho de ourives, também foi treinado para exercer este ofício. Pelo menos de forma secundária, gravuras como a que vemos acima tinham o intuito de registrar seus conhecimentos da forma humana e, sendo reproduzíveis, também, ficavam disponíveis para serem usadas como modelos para outros estúdios. Durante sua estada em Veneza em 1494/95, o mestre alemão teve seu primeiro encontro com a antiguidade, conforme refletida na arte italiana e estudou de perto a técnica de desenhar a partir do nu. Gostava de trabalhar suas representações do corpo em painéis cênicos, predileção aqui ilustrada. A robusta mulher na gravura é o símbolo da tentação, que visitou o homem adormecido, em um sonho. Ele está repousando, completamente vestido e praticamente sentado, sobre um banco próximo ao morno fogão ladrilhado, a cabeça inclinada coberta sobre os travesseiros. Com um fole, um anjo mau alado sopra um sonho erótico em seu ouvido. A bola da Fortuna, sobre o chão e o pequeno Cupido tentando montar suas pernas de pau sugerem o quão improvável é este sonho. Seguro de si e extremamente consciente de sua habilidade em lidar com tema e forma, o artista gravou suas iniciais em baixo, no centro.


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:13



Caspar David Friedrich (1774-1840)
Menino repousando junto a um tronco de árvore, 1802
Lápis a Sépia, 18,1x11,6cm.
Kunsthalle, Bremen
(perdido durante a guerra)

Friedrich nasceu em Greifswald, no norte da Alemanha e se mudou para Dresden, onde deu aulas na Academia a partir de 1816. Seu trabalho é o resumo do Romantismo alemão. Este desenho, lavado em leve camada de sépia é um estudo detalhado para um quadro. O esboço preliminar foi feito a crayon em seguida sendo executado a bico de pena, recebendo depois o tom sépia. Com seu galho dobrado em ângulo e seus ramos contorcidos, o toco da árvore forma uma moldura para o jovem que está deitado dormindo, supostamente sob uma pedra. A roupa de gola alta, sapatos calças estreitas, gibão com grandes botões, pingentes e dragonas, sugere um homem fardado que descansa. O guarda florestal, o caçador do conde e o criado do castelo são figuras familiares no Romantismo alemão, ou será que aqui está sendo evocada a imagem do Vadio de Eichendorff? A mão direita está enfiada no bolso lateral da calça e o braço direito está levantado para sustentar a cabeça. Os traços finos, com o cabelo caindo suavemente sobre as sobrancelhas agradam a quem o contempla. Ao mesmo tempo atraem a curiosidade do grande pássaro empoleirado que observa o dorminhoco.


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:14



Gustave Coubert (1819- 1877)
Mulher Dormindo diante da Roca de Fiar, 1853
Óleo sobre Tela, 91x115cm
Musée Favre, Montpellier

Este quadro transmite uma impressão da vida campestre, tão grata ao coração de Courbet, originário do vilarejo agrícola de Ornans, no Jura francês. “Le Réalisme” era o seu lema; ele rejeitava todos os assuntos grandiosos; queria retratar a realidade pura e simples em toda sua verdade. Há algo do ambiente doméstico ao redor da mulher que adormeceu enquanto fiava. Ela está sentada na sala, em uma cadeira com estofado espesso, perto da janela. Um feixe de luz cai diretamente sobre seus cabelos castanhos presos em um nó, seu colo robusto, pálido e seu xale listrado branco e azul. Há reminiscências do chiaroscuro de Rembrandt, mas não há mistérios aqui, como nas pinturas do holandês. A mulher foi simplesmente embalada pelo zunido da roca de fiar e caiu no sono. Agora a roda e o bilro estão parados e a roca caiu sobre seu colo; mas o fio ainda passa frouxo através da mão direita da mulher adormecida. Apesar de sua obesidade, esta mulher tem as mãos bem feitas; a esquerda pende frouxamente sobre o vestido florido, como se também estivesse adormecida.

_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:15



Sir John Everett Millais (1829-1896)
Meu Segundo Sermão,
Óleo sobre Tela
Guildhall Art Gallery, Londres.

Encorajado como menino prodígio,contando com seus próprios recursos e compatível com o gosto da época, Millais foi um pintor bem sucedido; tornou-se presidente da Academia Real. Este quadro, que confirma seu talento, está pleno de sentimentalismo vitoriano e é um exemplo da última fase de seu trabalho. Uma menininha com suas bochechas rechonchudas está sentada em um banco de madeira coberto por almofadas verde-musgo. Por detrás do encosto alto, também verde-musgo, pode se ver uma tira de vitral. Estamos em uma igreja. A menininha caiu satisfeita no sono, durante o sermão. Pousou seu chapéu enfeitado com uma pena a seu lado. O banco sobre o qual está sentada é alto demais para ela, seus pés, calçados com meias e sapatos, estão pendentes, e, apanhados por um raio de luz, projetam sombras sobre as tábuas do soalho da igreja. A menina abrigou as mãos em um regalo de peles apoiado sobre seu colo. Seu avental azul debruado de preto e sua capa vermelha contrastam com o rosto pálido sob os cachos castanho-dourados encaracolados, seguros por uma tiara preta. A boquinha vermelha sobre o queixo pequeno esta fechada; os olhos, de cada lado do nariz arrebitado, estão cerrados. A menina permanece tranquilamente adormecida durante o longo sermão; podemos quase ouvir sua respiração regular.

_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:15



Adolph von Menzel (1815-1905)
Homem bocejando em um compartimento de Trem, 1859
Óleo sobre Tela, Staatliche Museen, Berlin

Um cavalheiro bem vestido está sentado em um compartimento de primeira classe de um vagão de trem, e, presume-se, faz uma longa viagem de uma cidade a outra. O homem refestelou-se em um canto, próximo à janela com sua cortina azul. Sua cabeça tem uma forma vigorosa, o cabelo alisado para trás; as sobrancelhas se destacam acima dos olhos grandes; sob seu nariz proeminente, floresce um bigode castanho. O terno marrom escuro ficou amarrotado pelas longas horas de viagem e está aberto na frente, revelando o peito da camisa branca; o colarinho alto ostenta uma gravata borboleta. Uma pesada corrente de relógio de ouro pende da fileira de botões do colete. Ele está calçando luvas de couro de cor clara. Este viajante parece ser bem educado e possivelmente ocuparia uma posição importante no mundo dos negócios. Mas está só em seu compartimento, sem ter ninguém para conversar e sem qualquer material de leitura com que pudesse matar o tempo. Assim, permite-se um bocejo energético e desinibido, com a boca bem aberta. Diz-se popularmente que existem 3 tipos de bocejos: o bocejo de fadiga, o de tédio e o causado pela deficiência de oxigênio durante o esforço mental. Menzel, o pintor, foi um notável psicólogo e observador da natureza humana. Neste trabalho retratou o bocejo que vem com o aborrecimento causado pelo tédio.

_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:16





Jan Steen (1626-1679)
O Mundo Torto, 1663
Oleo sobre Tela, 105x145cm
Kunsthistorisches Museum, Vienna

Na era dourada da pintura holandesa, que se distingue por luminares como Rembrandt e Vermeer, existiram diversos outros mestres menores da arte, que prosperaram junto à abastada classe média, ansiosa por ter um registro pictórico do seu meio, vida e costumes. Jan Steen era um fabricante de cerveja e dono de estalagem, mas também e mais particularmente, um pintor sardônico, que ilustrava em suas obras o que estava continuamente testemunhando de novo. Sob o título – talvez inadequado – de “O Mundo Torto”, retrata uma casa desleixada. Alguém deixou um tonel desarrolhado. A criança está brincando com um colar de pérolas. O cachorro em cima da mesa banqueteia-se com os restos da refeição. Uma menina mexe no guarda-louças enquanto um macaco brinca comas correntes dos pesos de um relógio. O mundo está fora dos eixos. O violinista e o homem idoso preferem ignorar o que acontece. Mas a senhora idosa dirige apelos ao jovem, que, naturalmente,ri, enquanto inventa uma história para uma jovem meio embriagada que sorri para ele com malícia. O maior contraste é oferecido pela mulher bem vestida que dorme alheia à música do violino, à tagarelice, às risadinhas e à mastigação ruidosa. Nada percebe, tão mergulhada que está no sono em plena luz do dia que invade o ambiente. No quadro negro embaixo à direita estão escritas palavras de alerta: “In Weelde Siet Toe” – “Economize para um dia de chuva”. Ninguém pode saber o que o amanhã poderá trazer. A espada e a muleta estão penduradas em cima, em uma cesta, ao centro.

_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:17



Sesta ou Siesta

O repouso no meio-dia, quando metade do trabalho já foi concluída, figura nas pinturas desde a Idade Média. O ceifeiro do Brevarium Grimani abandona sua tarefa laboriosa e jaz adormecido junto a suas ferramentas. O braço serve-lhe de travesseiro e o grande chapéu de palha protege-o do calor meridional. Há pouco tempo para descansar antes que o trabalho recomece.



Um rápido intervalo durante o trabalho, ao ar livre, o descanso ao meio-dia é retratado em diversos quadros. Os trabalhadores aproveitam o tempo para desfrutar uma rápida folga. Sempre completamente vestidos, atiram-se ao chão, sem rebuliço ou cerimônia. Descansam sobre o feno, ou de encontro a um fardo de palha, com foice e ancinho do lado, prontos para serem empunhados novamente.



Talvez a mais refinada expressão deste estado de repouso e alívio da exaustão possa ser vista na Siesta de Picasso (Camponeses Adormecidos).



O sono do meio-dia necessita de pouca proteção, o ar é morno e mesmo o corpo atinge sua temperatura diurna máxima a essa hora. O que parece ser postura descuidada naquele que dorme durante o dia, com as roupas em desalinho e as pernas estiradas, serve como uma proteção contra o excesso de calor. Não é de se estranhar, portanto, que o corpo adote uma maior variedade de posições durante o sono diurno, em comparação com o noturno, quando a retenção de calor é a primeira prioridade. O sono humano do meio-dia está estritamente relacionado com o topor dos animais que vivem em um clima árido.


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:18



Pablo Picasso (1881-1973)
Camponeses Adormecidos, Paris 1919
Têmpera, aquarela e lápis sobre papel, 31x 49 cm
The Modern Art Museum, Nova Iorque
Abby Aldrich Rockefeller Fund

Um estudo da vida do gênio Picasso, que observe as suas múltiplas evoluções de forma, confirmará a visão de que seus desenhos e pinturas constituem, por si, um diário visualizado. Não deve causar surpresa, portanto, que após a revolução na filosofia visual, que antes e durante a Primeira Guerra Mundial influenciou a análise e síntese das formas facetadas do Cubismo em Braque e Picasso, o artista espanhol tenha produzido a seguir uma coleção dentro do estilo do Neoclassicismo. Nesse período pós-guerra, de um retorno ansiosamente esperado a um mundo exuberante e sensual, Picasso desenhou e pintou pessoas exuberantes e sensuais. Tais imagens da forma humana induziram à observação de que havia nascido uma nova raça de titãs e gigantes. É contra esse pano de fundo que deve ser visto o trabalho em têmpera “Siesta” com seu desempenho preciso e cores fortes. A composição é vigorosamente arrojada. O casal se acomodou sobre um monte de feixes de milho. O homem bronzeado está inclinado para um lado, com o rosto sombreado por um chapéu de palha. A mulher, de pele muito clara, apóia a cabeça no colo do homem, o braço direito dobrado sob a cabeça.
A camisa branca deixa entrever seu colo níveo. Em tal proximidade física, acham-se alegremente adormecidos.


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:18



Este quadro ocupa uma posição especial no desenvolvimento de Segantini como pintor, uma vez que marca a última das suas tentativas de (iniciadas em “Ritorno all’ovile”) para estruturar seus quadros usando planos horizontais. Como em “Sul Balcone”, a vila de Savognin é pintada contra a luz, ao meio-dia.

A pintura compõe-se de contrastes: um fundo sombreado com uma alta cerca através da qual podem ser vistos quintais e casas; um segundo plano de alvenaria até a borda superior da tela, em lugar de um horizonte.

De todas as obras de Segantini, “Riposo all’ombra” exibe com a maior fidelidade a existência humana do cotidiano. No espaço confinado acima da cerca, onde se encontram a luz e a sombra, a vida continua em uma fazenda: duas vacas estão prestes a comer, uma mulher camponesa, vista de perfil, faz seu trabalho. Suas formas, diminutas à distância, contrasta com a figura esguia da moça do campo, em primeiro plano, que se deitou no chão por pura exaustão. O rosto virado para a relva e a enxada paralela a seu corpo enfatizam o quanto relaxada ela está. Suas energias esgotadas serão repostas pela Natureza revigorante reinante.

Giovanni Segantini (1858-1899)
Repousando na Sombra, 1892
Óleo sobre tela, 44x68cm
Coleção Particular, Zurique



_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:19



Albert Anker (1831-1910)
Menino adormecido sobre o feno
Óleo sobre tela 55x71cm
Kuntsmuseum, Basiléia

Os pés nus e sujos; as canelas pálidas estendendo-se para calça azul surrada, o chapéu de palha jogado descuidadamente; o colete marrom desabotoado revelando a camisa de cor clara sobre o peito: assim jaz o maroto refestelado sobre o feno. Ele correu para dentro do barracão, estirou-se deitado de costas e pegou no sono.
Anker tinha um dom magistral para retratar o mundo em que vivia e seus contemporâneos. A composição do quadro com suas variáveis diagonais é feita com habilidade; a iluminação e o colorido são suaves. Há um encanto especial na maneira pela qual o repouso completo do rapaz é retratado: na posição do corpo, a cabeça voltada ligeiramente para o lado, o relaxamento das mãos.


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:20


O Sono Diurno

"Acordei quando estava quase soando a hora da refeição noturna. Sentia-me entorpecido e sonolento, porque o sono durante o dia é como o pecado da carne: quanto mais você tem, mais quer, sentindo-se ao mesmo tempo infeliz, saciado e insatisfeito."

Umberto Eco, “O Nome da Rosa”


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:21



Camille Pissarro (1830-1903)
Jovem Camponesa Deitada sobre a Relva, 1882
Óleo sobre Tela
Kunsthalle, Bremen

Sobre um prado que ocupa a maior parte do quadro, o olhar vagueia na direção de um caminho ao fundo e a parede de uma casa é apenas vislumbrada. Mais surpreendente, então, contra esta configuração horizontal, é a figura disposta em diagonal de uma menina deitada sobre o chão com um simples ancinho de madeira ao seu lado. Ela veste uma blusa listrada e uma saia marrom; ao redor da cintura tem um avental azul. Embora sejam sóbrias, as cores frias de suas roupas emprestam uma nota formal no meio do verde da relva de verão, mas é para o calor do rosto e o rosa-claro do chapéu que o olhar de quem contempla se sente atraído. O corpo da menina está relaxado. Sua perna direita, ligeiramente estendida, diante da esquerda; o braço direito, dobrado, e sua mão descansa sobre a relva; o braço esquerdo sobre o rosto. A menina está deitada ao sol, que, a julgar pela sombra da árvore ao fundo e a sombra projetada pelo chapéu, distribui um calor suave. Cansada da tarefa de limpar a grama com um ancinho, ela provavelmente deitou-se à sombra da árvore, para tirar uma rápida soneca. O sol moveu-se no céu, mas a menina adormecida não percebeu.


_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Corvinus em Sex 2 Jan - 19:21



Em 1907, Renoir comprou “Les Colettes”, em Cagnes, a oeste de Nice. Embora tenha se mudado para sua nova casa, recém-construída um ano mais tarde , ele jamais a pintou. A antiga casa de sua fazenda, no entanto, foi mantida bem conservada e aparece em diversos quadros. Sabe-se através de Claude, filho do pintor, que Renoir dava muita atenção aos detalhes e ao seu intuito de preservar as características de rusticidade dos seus arredores. Ele próprio deu instruções ao jardineiro para deixar a relva cobrindo os caminhos. Renoir queria desfrutar de sua propriedade, não como um “jardim” ou uma “vila”, mas como uma natureza intocada. O que o tanque de nenúfares em Giverny era para o já idoso Monet, o mundo do Mediterrâneo, cheio de com mulheres jovens, lavadeiras vestidas em cores vistosas e banhistas reluzentes, o era para o sisudo Renoir. A partir daí, ele continuou a retirar inspiração para seus quadros poéticos, cujas cores captavam e refletiam a luz do sol meridional.

Neste paraíso na Terra, a jovem reclina-se sonhadora sobre o relvado, com todo o frescor das curvas firmes tão apreciadas por Renoir.

((¨ Auguste Renoir, 1841-1919, "Menina Deitada Sobre a Relva", cerca de 1915, óleo sobre tela, 20.5 x 31.5 cm, Kunstmuseum, Basiléia ¨)

_________________
avatar
Corvinus
Executor|Dux|Caesar
Executor|Dux|Caesar

Academy : 84
Lugares : Roma

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Temática 1 - A Arte & O Sono - Arte é História

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum